«Não há liberdade, nem liberdades contra a língua […] Não há força que no mundo possa modificar a história. Não há desapropriação espiritual […] Belgas e Suiços não são menos autónomos por falarem francês, nem pensaram jamais em dar um pseudónimo nacionalista à linguagem que falam, e é deles também. Por isso, também não há língua canadense, nem argentina, nem australiana: não haverá jamais língua brasileira […].
No dia em que a política, de um alarmado nativismo, instituísse uma “língua brasileira”, os tradutores públicos dessa língua em português morreriam de fome. A lógica nos levaria a criar logo as línguas gaúcha, mineira, paulista, baiana, diversas do “brasileiro” do Rio, a pretendida língua nacional.
Não exagero: entre Baía e Rio as diferenças serão,por vezes, maiores que entre Maranhão e Coimbra»
Afrânio Peixoto, A Língua Comum, Lisboa, 1940.p. 5 e 9.